Cristina Esteche

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A violência se tornou uma questão de saúde pública

(Imagem de fundo: Reprodução/Freepik)

A semana começa sangrenta no Paraná. Mais uma semana pautada pela intolerância, pelo machismo desvairado, pelo ódio em todas as expressões se faz presente. Basta olhar, mesmo que de forma superficial, para ver que o momento da sociedade brasileira extrapola a questão da segurança pública. São homicídios, agressões físicas e verbais, suicídios, feminicídios. E o pior de tudo é que, se até pouco tempo atrás a escola era um local seguro, agora já não é mais.

As notícias de ataques, principalmente em escolas e universidades dos Estados Unidos, já derrubaram fronteiras e hoje estão muito perto de nós. Ou seja, a violência que ‘vivia camuflada’ saiu da margem para se tornar desnuda, tomando conta dos espaços de norte a sul, de leste a oeste. O Brasil está manchado de sangue espirrado pelo ódio que pulsa nas entranhas mais bizarras do  homem.  O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos.

Vocês perceberam que nos últimos anos tivemos motivação de sobra e que a apologia ao ódio despertou um monstro gigante que dormia em berço esplêndido? Hoje, infelizmente, todo mundo odeia todo mundo. E ressurge então a milenar ‘Lei do Talião’; a máxima do ‘olho por olho, dente por dente’. Vamos tomar como exemplo mais um caso de feminicídio motivado por sentimento de posse, de ciúme voraz. Me refiro ao crime em Cambé onde uma adolescente foi morta porque tinha novo namorado. O ex não aceitou.

Mas é muito mais do que isso. Tivemos duplo assassinato em Prudentópolis no fim de semana. Registramos acidentes com mortes em estradas paranaenses. Temos a violência da fome martirizando famílias inteiras. Contamos com a violência do descaso político diariamente. E isso influencia na área da saúde. Sim, a violência é um caso não apenas de segurança. Se trata de saúde pública. Isso porque acarreta danos à saúde física e mental. Vemos que a escalada do ódio ganhou proporções assustadoras, como a tragédia yanomami, ou o desdém de muitas autoridades políticas em relação aos 700 mil mortos na pandemia de coronavírus, só para citar exemplos. E essa saga diária desfila sob os nossos olhos.

Tudo bem que o Presidente Lula ao se manifestar sobre a tragédia em Cambé disse que “é urgente construirmos juntos um caminho para a paz nas escolas”. Ou que o governador do Paraná, Ratinho Junior decretou luto oficial de três dias e se solidariza com as famílias das vítimas. Mas e daí? É preciso saber que ‘violência’ se escreve no plural. Que todos os dias ela é escrita com sangue e dizima famílias. Que não depende apenas de atitudes de políticos. Que ‘nós’ precisamos ressignificar quem somos enquanto pessoas. Que ‘nós’ precisamos saber escolher os políticos que queremos. Que ‘nós’ possamos construir espaços, especialmente, escolares que sejam, efetivamente, lugares de celebração da diversidade, do respeito, do debate, da busca de conhecimento, da alegria, da saúde, da paz e da vida.

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Cristina Esteche

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