Cristina Esteche

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Cenas de um sábado de manhã em Guarapuava

Ir às agências bancárias, principalmente, nas manhãs de sábado, é ser surpreendida (o), por pessoas que vivem pelas ruas da cidade. Tive essa experiência na última semana e em três agências que fui pude vivenciar situações como essa. Mas quero apenas fazer um relato.

Por curiosidade fui até as outras agências existentes ao longo do Calçadão. A cena se repetia também no comércio. Ao me ver passando por ali, o dono de uma lanchonete me chamou. Ele disse que não sabe mais o que fazer com a presença de pedintes à porta, “incomodando os fregueses”, segundo ele. Em outra loja, outro senhor me disse: “dormem debaixo da marquise, sujam a entrada e amedrontam clientes”. Em outra rua, na Saldanha Marinho, moradores de um edifício dizem que não podem chegar depois das 22h porque a entrada se tornou o “dormitório de homens, mulheres e cachorros”.

A GENTE ACOSTUMA

O fato é que a gente se acostuma à presença deles pelas esquinas, nos semáforos. E cada vez que os vejo, me pergunto como uma pessoa chega a essa situação. Penso também que essa pessoa já teve uma família, uma mãe que assim como todas, desejou o melhor para a criança que carregou no ventre. Essa pessoa também já teve sonhos. E agora, o que ela pensa? ”

A vida nas ruas tira delas, já emocionalmente arrasadas, os últimos resquícios de autoestima e estrutura. Eles se tornam invisíveis, como disse recentemente o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo. Mas essa legião, segundo o Ipea, têm como causa problemas familiares, o desemprego e o uso de drogas. Trata-se, portanto, de um problema de saúde pública nacional. E Guarapuava não é uma exceção à regra – é assim que se diz, né? Afinal, eles e elas também moram aqui.

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Cristina Esteche

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