Cristina Esteche

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Comida mais barata? Só no período das eleições

O ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: Agência Brasil)

Parece que  estamos voltando no tempo. Se na ‘Era Sarney’, lá pelos idos de 1980, o Plano Cruzado congelou os preços durante as eleições de 1986, agora o pedido é outro. Durante esta semana, na última quinta, o  ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu que donos de supermercados e indústria congelem os preços dos produtos. O prazo, segundo ele, seria “por dois ou três meses”. Ou seja, na reta final das eleições. O pedido teve o endosso do Presidente Bolsonaro.

De acordo com o ministro, “agora é hora de dar um freio nessa alta de preços. É voluntário, e para o bem do Brasil. Da mesma forma que os governadores têm que colocar a mão no bolso e ajudar o Brasil, o empresariado brasileiro tem que entender o seguinte: devagar agora um pouco porque a gente tem que quebrar essa cadeia inflacionária”. O pronunciamento ocorreu no 2º Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento. Em contrapartida, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) pediu ao governo federal que zere os impostos sobre produtos da cesta básica.

Vale lembrar que um levantamento divulgado na quinta pelo UOL mostrou um dado nada alentador. Embora a inflação geral esteja em 11,73% nos últimos 12 meses, a alta para alguns produtos da cesta básica já passa de 67%. E no mesmo período. E esse aumento desenfreado pode ser vivenciado a cada hora que se entra no supermercado.

“Vamos parar de aumentar os preços aí, dois, três meses. Nós estamos em uma hora decisiva para o Brasil”. Essa frase resume e traduz qual é maior preocupação do governo. Trata-se da eleição presidencial tendo como ‘pano de fundo’ o que dizem as pesquisas de intenções de votos.

E DEPOIS?

Beleza. O povo vai poder comer por dois ou três meses. E depois? Vale lembrar que logo após as eleições de 1986, os preços descongelaram, houve reajuste de 120% e a inflação ficou descontrolada. Será que vamos ser protagonistas desse filme de novo?

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Cristina Esteche

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