Cristina Esteche

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Eles não sabem que são escravos da própria ganância

(Fotos: Reprodução/Freepik)

“Nosso sonho era esse, trabalhando de carteira assinada. O que importa agora é isso, eu e meus colegas termos um trabalho digno e levarmos o sustento para as nossas famílias”. Essa frase foi dita por um dos trabalhadores baianos, encontrados em situação análoga à escravidão em vinícolas no Rio Grande do Sul, recentemente. No entanto, a situação que parece estar a quilômetros e quilômetros de distância de nós, está muito mais perto do que imaginamos.

Digo isso porque nesta terça (14), recebi ligações de produtores da Região, preocupados com situação semelhante. Há informações de que o Ministério Público do Trabalho (MPT) está fazendo procedimentos relacionados a trabalho escravo em Guarapuava e região. Em contato com o MPT, a assessoria de comunicação disse que não pode fornecer informações para não prejudicar o andamento das diligências.

O fato é que, se existe alguma diligência, é porque há denúncia e se as pessoas estão procurando a lei é porque alguém está quebrando a regra. Como sabemos, existe um ciclo do trabalho escravo que inclui a miséria em que muitas pessoas encontram-se. E surge aí o aliciamento dessas pessoas que são atraídas por promessas de mudança de vida.

No entanto, esse ciclo somente pode ser encerrado com a denúncia e a fiscalização. E nesta semana surgiu outra denúncia. Em fazendas de produção de arroz, também no Rio Grande do Sul, trabalhadores desmaiavam de fome e sede. É inconcebível pensar que uma pessoa possa penalizar a outra, não apenas matando sonhos, mas tirando a dignidade e a cidadania. Mas se trata de pessoas que não têm a noção de que estão escravizadas pela própria ganância.

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Cristina Esteche

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