Cristina Esteche

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Enquanto há bilhões para a campanha política, milhões passam fome

Fome no Brasil (Foto: Pixabay)

Num país onde perto de 20 milhões de pessoas passam fome, há um recorte. E não é para mostrar brasileiros que comem em abundância. Mas para expor as cifras bilionárias reservadas aos partidos políticos. É que nessa quinta (3), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a ‘bagatela’ de R$ 4,9 bilhões para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Trocando em miúdos: os partidos políticos terão dinheiro de sobra para buscar a eleição ou reeleição nas eleições de outubro próximo.

Mas como ‘dinheiro na mão é vendaval’, como canta o sambista Paulinho da Viola, para alguns os bilhões podem ainda parecer pouco. Embora seja muito mais em relação às eleições de 2020. O PSL, antigo partido do Presidente Bolsonaro, será a sigla mais rica nas atuais eleições. Vai receber R$ 567,71 milhões. Em seguida vem  o PT do ex-presidente Lula, com R$ 566,67 milhões. Conforme o cálculo do Senado Federal, o MDB fica em terceiro, com R$ 426,43. E por aí vai.

Mas não é apenas isso. Criado pelo Congresso em 2017, após o STF proibir doações de pessoas jurídicas a candidatos, a maior ‘fatio do bolo’ vai para os partidos com as maiores bancadas de deputados e senadores. Ou seja, quem tem menos, vai continuar recebendo menos. E aí a pergunta que não quer calar: de onde vai sair essa ‘dinheirama’? Da sociedade, ora bolas.

Pois é, mas tudo bem. Afinal de contas, vivemos num país onde ‘há sobra de dinheiro para vacinas, educação, segurança pública’. Conforme aponta estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Pessan), divulgado ainda em abril do ano passado, cerca de 20 milhões de brasileiros afirmam que passam períodos de 24 horas sem ter o que comer. E tem mais: quase metade da população, o equivalente a 116,8 milhões de pessoas, sofre atualmente de algum tipo de insegurança alimentar. “O Brasil continua dividido entre os poucos que comem à vontade e os muitos que só têm vontade de comer”, afirmam pesquisadores da entidade.

Mas enquanto a guerra da miséria mata com um apetite voraz, agora podemos importar jet-ski, balões e dirigíveis, todos com isenção de impostos. Sabe, são ‘brinquedinhos’ que saciam a vontade de quem gosta de ‘fechar os olhos’ e brincar sobre as ondas do mar, mesma que esteja revolto.

E nesse cenário alentador, bora lá. Vamos continuar na luta, alimentando a utopia de que um dia a sociedade possa se tornar mais justa. De que as cifras bilionárias possam dar origem a mais empregos, mais saúde, mais comida na mesa de todos. Mas enquanto isso, é preciso viver. “E viver não é brincadeira não”.

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Cristina Esteche

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