Cristina Esteche

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‘Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço’

Deltan Dallagnol (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Já está anunciado. O ‘Podemos’, partido de Deltan Dallagnol, o primeiro parlamentar eleito em 2022 a ser cassado, disse que não vai medir esforços para reverter a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Tribunal, por unanimidade extinguiu o mandato do ex-procurador da Lava-Jato, em decisão que durou pouquinho mais de um minuto. Foi na noite dessa terça (16). Informações diretas de Brasília dizem que Dallagnol se trancou no gabinete com cerca de 10 pessoas. Montou uma espécie de ‘gabinete de crise’. Depressivo, quase foi às lágrimas e só deixou a Câmara por volta das 3 horas da madrugada desta quarta (17).

Em postagem nas redes sociais ele declarou sentir-se “indignado” e ser alvo de vingança. Conforme o ex-procurador, “344.917 mil vozes paranaenses e de milhões de brasileiros foram caladas nesta noite com uma única canetada, ao arrepio da lei e da Justiça. Meu sentimento é de indignação com a vingança sem precedentes que está em curso no Brasil contra os agentes da lei que ousaram combater a corrupção. Mas nenhum obstáculo vai me impedir de continuar a lutar pelo meu propósito de vida de servir a Deus e ao povo brasileiro”.

Pois é. A decisão do TSE tem como base a Lei da Ficha Limpa que, no entendimento do Tribunal, o deputado tentou burlar. Lembro bem das entrevistas que fiz com ele no estúdio do Portal RSN quando ele defendia o projeto 200+. Ou seja, eleger no mínimo 200 deputados defensores do combate à corrupção. Pois é, de acordo com o ministro Benedito Gonçalves, do TSE, houve fraude à lei, caracterizada “pela prática de conduta que, à primeira vista, consiste em regular exercício de direito amparado pelo ordenamento jurídico, mas que, na verdade, configura burla com o objetivo de atingir a finalidade proibida pela norma jurídica”.

Ou seja, Dallagnol burlou a lei quando pediu exoneração do cargo de procurador da República. “Dallagnol antecipou sua exoneração em fraude à lei. Ele se utilizou de subterfúgios para se esquivar de PADs ou outros casos envolvendo suposta improbidade administrativa e lesão aos cofres públicos. Tudo isso porque a gravidade dos fatos poderia levá-lo à demissão”.

Bem, pelo sim e pelo não, Dallagnol foi contra o discurso que pregou enfaticamente durante a campanha eleitoral: o combate à corrupção. E cá pra nós, como diz o ditado popular, o “feitiço virou contra o feiticeiro”.

EM TEMPO

Mesmo que Dallagnol já tenha sido destituído do cargo, ele tem a opção de apresentar um recurso ao próprio TSE e, em seguida, levar o caso ao Supremo Tribunal Federal. Se ‘bater na trave’ quem deve assumir é o primeiro suplente Luiz Carlos Hauly. Ele obteve 12 mil votos nas urnas, ficando abaixo dos 10% do quociente individual eleitoral do Paraná. E isso ainda vai dar muito ‘pano pra manga’.

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Cristina Esteche

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