Cristina Esteche

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Fazemos parte de uma sociedade rica, mas faminta

Fome! (Foto: Reprodução/Internet)

Na manhã desta quarta (22), por acaso, ouvi a entrevista do bispo diocesano D. Hamilton sobre o tema da Campanha da Fraternidade. Pela terceira vez, a preocupação é com a fome. Isso porque, segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o País voltou ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado. De acordo com o estudo divulgado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), 33,1 milhões de pessoas no Brasil passam fome. Isso equivale, ao dobro do registrado antes da pandemia da covid-19.

Mas não precisamos nos deter a esse número. Basta olharmos à nossa volta para ver a fome estampada nas figuras esquálidas que encontramos pelas ruas da cidade. As portas dos supermercados, diariamente, são pontos onde famílias ficam à espera de doações. Recentemente, ao abrir da porta do carro para descer, fui abordada por um casal. A mulher, aparentemente jovem, apesar da expressão de cansaço, disse que morava no Xarquinho, em Guarapuava. O homem contou que veio de fora em busca de emprego. “Nos conhecemos e eu tirei ela da casa porque estava cansada de apanhar”. Sem casa, desempregados, eles vivem nas ruas.

Mas essa conversa surgiu após me pedirem ‘uns trocados’ porque tinham fome. “Só queremos comida”. Convidei os dois para me seguirem até um restaurante ali no Primo Shopping. Deixei que se servissem à vontade. Saíram com as marmitas e recebi todas as bençãos do céu. À volta, olhares de recriminação e que me fizeram ver como somos uma sociedade faminta. Temos fome de solidariedade, de empatia, de amor, de princípios e, principalmente, de valores. Cada vez mais nos afundamos no mapa da fome por cardápios humanitários. Cada vez mais, o homem precisa deixar de ser algoz do próprio homem. Ou será que estamos nos tornando canibais?

Bem, teve presidente que confessou ter tentado comer carne humana. Mas disse que não conseguiu. Só por aí para perceber o quanto, nós, humanos, somos podres. E são poucos os que tentam melhorar. Acho que a campanha da fraternidade existe para isso. Ela nos convida a refletir, mas acima de tudo, a agir. E como disse D. Hamilton, “a comida que sobra na mesa, não é sua. É do próximo que está com fome”. A roupa que cria bolor no armário não é sua. É de quem precisa.

Sabemos que a fome é um dos maiores flagelos por se tratar de um gatilho para outras mazelas que nos atingem. Temos a desnutrição, as doenças, os crimes, a dependência de drogas. Mas ainda está em tempo de contribuir para que nos tornemos um pouco melhores. Afinal, muitas vezes, um sorriso, um olhar de empatia, um  abraço, uma simples resposta, já matam a fome do próximo.

EM TEMPO

O Brasil é um gigante na pecuária e na agricultura, setores que batem recordes de produção de commodities. Temos dezenas de milhões de toneladas de grãos e carnes exportados anualmente. É também um país considerado um dos celeiros do mundo, que alimenta um bilhão de pessoas ao redor do planeta. Mas aqui o povo tem fome.

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Cristina Esteche

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