Cristina Esteche

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Fome, frio, miséria e discursos oportunistas ‘recheiam’ minhas inquietudes

(Foto: Portal RSN)

Tenho inquietudes em relação a muitas coisas relacionadas à injustiça social. Mas uma das que mais mexe comigo é uma pessoa morar na rua, não ter o que comer. E o que é ainda pior, perder a dignidade, deixar de existir perante uma sociedade que teima em não enxergar o próximo.

Trato desse tema aqui nesta terça de frio em Guarapuava porque fui surpreendida com duas situações. A primeira foi uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. Coordenada pelo economista Marcelo Neri, a pesquisa traz uma radiografia do que vemos nas ruas. Além disso, atualiza mais um recorde já esperado após a pandemia. Um em cada três brasileiros não teve recursos para alimentar a família nos últimos 12 meses. O indicador de pessoas em situação de insegurança alimentar, que em 2019 era de 30%, em 2021 subiu para 36%. Trata-se, conforme o pesquisador, do maior índice desde o início da pesquisa, em 2006.

É muito triste saber que no Brasil, um país rico, a escalada da fome ganha proporções cada vez maiores. De acordo com o ‘Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil’, em 2021, 116,8 milhões brasileiros não tinham comida no prato. Esse levantamento é da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

E pude constatar, mais uma vez, essa situação na prática. Hoje, o coordenador do projeto ‘Amor e Atitude’, Marcio Oliveira, que trata de moradores em situação de rua, veio no estúdio do Portal RSN. Trouxe com ele dois ex-moradores de rua. Conversar com Bié e com o Claudio sentindo as dores dessa faixa da população, foi como um ‘tapa na cara’. Afinal, temos tudo e mais um pouco e sempre estamos querendo mais. Não nos contentamos com o que possuímos. E saber que para eles, o simples gesto de alguém lhe dar as mãos numa simbologia de uma nova oportunidade, é reabrir o caminho para a vida digna. E nós, quantas vezes viramos o rosto para o outro lado da rua, ou erguemos o vidro do carro para ‘ignorar’ quem está no semáforo pedindo uma moeda?

Entretanto, o que é mais triste do que tudo isso junto, é saber que nos discursos políticos, os temas habitação, saúde, educação, emprego surgem como as principais plataformas. Mas o inaceitável é constatar que daqui a pouco, tudo isso não passa de palavras jogadas ao vento. E que é o próprio governo quem contribui para o aumento da fome no país. Para que uma legião de brasileiros more na rua, sem prato nas mãos, nem mesmo vazio.

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Cristina Esteche

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