Cristina Esteche

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Lema fascista ganha espaço em discursos de Bolsonaro

Plinio Salgado (centro) em saudação integralista (Foto: Reprodução/Internet)

“Deus, pátria, família”, este lema voltou a ser repetido pelo presidente Jair Bolsonaro na manhã desta terça (26). Com ele, o Presidente encerrou o pronunciamento durante a abertura da 23ª Marcha a Brasília e Defesa dos Municípios, em Brasília. Para quem não sabe, essa frase era o lema do Integralismo, partido e movimento político surgido no Brasil na década de 1930. Nasceu sob a influência dos ideais e práticas fascistas que se desenvolveram na Europa após o fim da I Guerra Mundial.

O movimento de extrema-direita, conhecido como o ‘fascismo brasileiro’ surgiu como ‘Ação Integralista Brasileira’ (AIB), em 1932. Foi quando o jornalista Plínio Salgado lançou o Manifesto de Outubro. Aliás, a liderança de Plínio Salgado é invocada até os dias atuais nas tendências integralistas. Posso citar a Frente Integralista Brasileira (FIB) e o Movimento Integralista e Linearista Brasileiro (MIL-B).

Pelas próprias palavras que são enaltecidas, percebe-se, em primeiro lugar, a influência cristã no movimento. Deus, simbolizando a energia divina, é o primeiro da tríade. Em seguida, a pátria, surge em nome da unidade e se contrapõe à divisão de classes. Afinal, conforme o professor Ranier Gonçalves Souza, em ‘A ação Integralista Brasileira’, a ideia era alcançar essa unidade por meio da constituição de um Estado integral, que harmonizaria os diferentes interesses existentes no seio da sociedade.

Por fim, temos a família como a menor unidade de organização social. Seria o ‘início e fim de tudo’. Além da garantia da manutenção da tradição, por meio dessa organização social.

IDEIAS DEFENDIDAS

Assim como diz o historiador, entre as principais ideias defendidas pelo movimento, destacam-se o corporativismo político, a abolição do pluripartidarismo, a perseguição aos adversários políticos, os comunistas. Além do fim do capitalismo especulativo e a ascensão de um forte líder político.

Com comunicação maciça, conforme a história política nacional, os adeptos do movimento utilizavam uma saudação comum. Conforme o historiador a expressão de origem indígena, ‘Anauê’  que era dita com os braços esticados, remetia à saudação de Hitler. Além disso, vestiam camisas verdes e adotaram a letra grega sigma (símbolo matemático para somatória) como formas que incentivariam um forte sentimento de comunhão e amor à pátria.

Entretanto, mesmo contando com intensas manifestações, os integralistas perderam força com a implementação do Estado Novo, no final dos anos 30. Daí em diante não conseguiram ter força. A não ser agora, nessa nova tentativa do Presidente Bolsonaro, em repetir o lema em cada evento público que vai.

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Cristina Esteche

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