Cristina Esteche

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Mirabolante, incrível, absurdamente fantástico

Cena de a ‘Cantora Careca’ (Foto: Divulgação)

Um texto para ‘lavar a alma’. Uma interpretação de ‘encher os olhos’. Também eu não esperaria nada menos que vi na apresentação da peça “A Cantora Careca’. Um absurdo! Sim isso mesmo, um absurdo de tão verdadeiro. Um absurdo de tanto talento mostrado no palco do Teatro Municipal Marina Karam Primak em Guarapuava. Também não era para menos, repito.

O que dizer da veia artística de Dody Samman, David Felchak, Douglas Zanon, Débora Santos Oliveira, Sissa Carol e Henrique Dubiela? É a trupe ‘Mirabolantes’, um ‘braço da Felchak Produções. Bem, essa assinatura dispensa comentários.

E não apenas da interpretação, mas na escolha do texto. Nada mais atual. Nada mais instigador do que os diálogos que encheram o vácuo do teatro com ‘falas’ que traduziram a solidão, a desolação e, principalmente, a incomunicabilidade dos dias atuais.

Sabe aquela situação em que você presencia diálogos que falam tudo, mas que não dizem nada? São palavras que retratam situações banais, frases feitas ditas e repetidas por muitos. Construções verbais que buscam criar universos pequenos, medíocres, fechado em bolhas que expõem brigas de ego, jogos de interesse, situações banais e passageiras.

A peça trazida pelo ‘Mirabolantes’ trouxe essa narrativa. Confrontou sentimentos, desejos, fazendo  ‘cair a ficha’ do que ouvimos e até do que falamos no cotidiano de cada um. Em meio a diálogos engraçados que amenizam a dramaticidade real resgatam essa situação de discursos vazios – e são muitos – mostrando que devemos refletir muito mais no sentido de rever nossas ações. Afinal, vivemos num mundo superficial e frívolo.

Assim como nos mostra o texto, as falas cotidianas, na maioria das vezes, se tornam cada vez mais aleatórias. Mais absurdas. Incomuns. No entanto, se pararmos para analisar elas simplesmente demonstram o espírito da dificuldade e da falta de sentido na comunicação. Digo isso porque cada vez mais vemos notícias que nos soam alarmantes em relação a indiferença, a violência, nas transformações nos modos de como nos relacionamos.

E nesse sentido, o ‘Mirabolantes’ ao trazer esse texto, deixa uma mensagem de alerta ou previsão das consequências que podem vir a nascer desse distanciamento e frieza entre as pessoas. Coisas do Teatro do Absurdo com uma crítica social e política – e aí vem uma pitada própria da trupe com o ‘capitão’ bombeiro. Enfim, uma ‘sacada’ absurdamente genial. Tipo aquelas que fazem a diferença.

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Cristina Esteche

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