Cristina Esteche

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O lixo nosso de cada dia

Lixo que se acumula na estrada do Jordão (Foto: Cristina Esteche/RSN)

Tenho convivido com o lixo diariamente. Quando saio de casa pela manhã, fazendo parte de um cenário de ‘encher os olhos’, como Sol buscando ‘furar’ as nuvens por detrás do morro, sentindo vento frio bater no meu rosto me chamando pra vida, saio pela estrada de chão.

Faço planos, organizando minha agenda mentalmente, ouço uma música. Sinto o cheiro do mato ainda orvalhado nestas manhãs frias de inverno. Passo pelo trilho do trem – aliás, já bati no trem, sabia? Mas logo à frente me deparo com um container lotado de lixo que se espalha pela estrada, diariamente.

O cheiro agradável da terra molhada, ou do mato à beira da estrada, dá lugar a outro odor forte. É a podridão que exala. E como é triste saber que aquele lixo é também remexido por pessoas que vivem ali no Jordão. São famílias que tiram do lixo a sobrevivência de todo dia. E nesta quarta, por volta das 8h45, um homem entrou no container em busca de algo que pudesse vender.

Segui o meu caminho até a Serra do Jordão. Pra mim a mais bela de todas. E nesse ambiente o cheiro forte voltou a prevalecer. Algum bicho morto tinha sido ‘desovado’ por ali. Percorri o trajeto pensando sobre esses dois cenários. Me dei conta que há pessoas que se alimentam do que a sociedade desperdiça. Outros, em busca da ‘comida’ para saciar a fome voraz que corrói, se ‘lambuzam’.

É a miséria humana tão carente de princípios, de empatia, de tolerância, de humildade. É a pobreza com a qual convivemos diariamente, que nos causam decepções, frustrações, e que permeiam o nosso meio-ambiente. É apenas mais uma constatação do enorme abismo moral que nos separa. Só quero dizer que assim como o bicho-homem que busca a sobrevivência no lixo, eu, você, nós, convivemos diariamente com toda a espécie de lixo, principalmente, o humano.

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Cristina Esteche

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