Cristina Esteche

Compromisso com o leitor

Início » O pior cego é aquele que acredita ver. Ele está com a venda do poder!

O pior cego é aquele que acredita ver. Ele está com a venda do poder!

(Imagem: Reprodução/Freepik – com edição)

A coordenadora do Procon em Guarapuava, Luana Esteche, que para o meu orgulho, é minha filha, deu o tom do trabalho que desenvolve no órgão. “Não estamos pensando em voto, mas sim em pessoas”. A frase foi cravada durante a entrega do Código do Consumidor em Braile para a Apadevi, a Associação de Pais e Amigos de Deficientes Visuais.

Com um trabalho de inclusão que é modelo para o País, Luana não esconde a paixão que tem pelo direito do consumidor. Um trabalho que ela faz imersão diária em busca de políticas públicas. Isso mesmo, ela transformou o direito do consumidor em política pública para a surpresa de muitos desavisados. E olha que tem muita gente que por obrigação deveria saber, mas desconhece essa condição.

Novidade? Nenhuma! Afinal, para alguns o investimento no desenvolvimento humano, na inclusão das pessoas vulneráveis, entre outras políticas, não precisa de divulgação. O que vale mesmo são as obras feitas de pedra, de concreto. Essas sim, merecem ser destacadas porque são vistas, palpáveis e resultam até em votos. E aí me vem outra questão: o que dizer daqueles que só se interessam pela política enquanto ‘poder’ e cargos.

E me remeto ao teatro da Apadevi que vi ontem na entrega do Código e vejo que se trata de uma espécie de cegueira. Aliás, como já disse e repito, muito bem tratada por pessoas que integram a Apadevi na representação teatral apresentada nessa quinta. Aliás, eles simplesmente levaram ao palco a realidade com a qual se deparam no dia-a-dia. Falando ao público restrito no auditório da Prefeitura, na entrega do Código, os atores protagonizam a própria angústia.

Ao assistir e se deparar com essas realidades é impossível não sentir uma sensação de sufocamento. É também impossível deixar de refletir como as pessoas, cegas pelos interesses próprios, deixam de perceber que a vida é mais do que isso. É se entregar com amor para fazer o bem ao próximo, para sentir a realização pessoal e poder ‘voar alto’ pelos próprios méritos. É saber que, acima de tudo, se para alguns a invisibilidade é estratégica para assegurar a manutenção de privilégios, para outros, é uma herança perversa que oprime e sinaliza para a persistência da negação de direitos.

A julgar pela fala que ouvi ontem, dói e muito não ser visto, percebido, ouvido. E me apodero aqui do ditado popular que diz que o pior cego é aquele que não que enxergar. Cá entre nós, prefiro dizer que o pior cego é aquele que acredita ver.

Leia outras notícias no Portal RSN.

Cristina Esteche

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao topo