Cristina Esteche

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O que “alhos tem a ver com bugalhos”?

Professora protesta contra racismo (Foto: Reprodução/Instagram)

Sou uma pessoa questionadora por natureza e ainda mais por força da profissão que exerço. E confesso que mais que eu tente entender atitudes do ser humano, a questão continua aberta. Uma delas é o preconceito, a discriminação. O que a cor de uma pessoa tem a ver? Por que a orientação sexual de outra incomoda tanto? E o estilo de roupa, principalmente, usada por ‘tribos urbanas’, composta por jovens que vivem na periferia? O que “alhos tem a ver com bugalhos”?

Só pra constar, num dia desses ouvi uma lojista recriminar a presença de “jovens esquisitos” num espaço comercial e pedir mais segurança. E aí pensei: será que essas pessoas não consomem; ou o dinheiro deles vale menos do que outros que vestem dentro dos padrões tidos como ‘normais’? Mas a minha indignação de hoje é sobre os últimos fatos estampados pela imprensa nacional e que mereceram a crítica do Presidente Lula.

Me refiro à atitude da professora e atriz Isabel Oliveira. Ela ficou apenas com roupas íntimas em uma loja do mercado Atacadão, em Curitiba, para denunciar racismo que teria sofrido de um segurança que a teria perseguido enquanto ela fazia compras. O Carrefour, que mantém duas lojas do Atacadão também em Guarapuava, nega. Em nota publicada no Portal G1 o grupo disse que apurou o caso internamente, ouviu os funcionários e analisou as câmeras de segurança. No entanto, nega que houve crime de racismo.

Mas esse fato não é isolado. O mesmo Carrefour ‘patrocina’ mais um caso e desta vez envolvendo o cantor Vinícius de Paula, marido da bicampeã olímpica de vôlei Fabiana Claudino. O fato,  divulgado pela vítima em redes sociais, ocorreu na tarde do último dia 7, em Alphaville, na região de Barueri, na Grande São Paulo. O artista, que é preto, tentava passar pelo caixa preferencial, que estava vazio. Entretanto, o atendimento foi negado pela funcionária.

Porém, quando ele foi a outro caixa, uma mulher não preta, foi ao caixa preferencial. Mesmo sem se enquadrar nas normas exigidas para o atendimento privilegiado foi atendida solicitamente. Em nota sobre, o Carrefour afirmou que a funcionária estava em período de experiência, e que foi desligada no mesmo dia.

E será que alguém lembra a morte de João Alberto Silveira de Freitas, homem preto, que foi espancado em um supermercado da mesma rede em Porto Alegre, em novembro de 2020? Ele foi às compras com a esposa. Porém, foi abordado violentamente por dois seguranças do supermercado. Agredido com chutes e socos por mais de cinco minutos, foi sufocado e não resistiu. O espancamento registrado em vídeos feitos por celular levou o Ministério Público do Rio Grande do Sul a denunciar seis pessoas por suspeita de homicídio triplamente qualificado no caso.

“COMPROMETIDO”

E vai mais além ao afirmar que nos últimos anos assumiu a responsabilidade de fazer uma transformação de dentro para fora no combate ao racismo estrutural no país, com investimento de mais de R$ 115 milhões, com maior foco na área de educação.

Em fevereiro, conforme a empresa, um ajustamento de conduta fechado entre o Carrefour e os Ministérios Públicos Federal e do Rio Grande do Sul e as Defensorias do estado e da União definiu que o grupo terá que destinar R$ 68 milhões para o pagamento de mais de 800 bolsas de estudo. Além da permanência para pessoas pretas em instituições de ensino superior de todo o Brasil, para reparar os danos morais coletivos como consequência da morte de Freitas.

O Grupo Vector, empresa dos dois seguranças que agrediram Freitas, também assinou um acordo de R$ 1,79 milhão com a Justiça. O  Termo de Ajustamento de Conduta assinado com a Defensoria Pública do Rio Grande do Sul também prevê que o recurso seja destinado para o combate ao racismo, à discriminação e à violência.

LULA DEU O RECADO

Pois é! Mais do que nunca, a julgar pelos últimos acontecimentos, a rede, em tese, parece não estar se comunicando bem com os colaboradores. A reincidência já está virando fato corriqueiro na empresa. Mas como disse Lula, “é  a segunda vez que o Carrefour faz esse tipo de coisa. Então, a gente tem que dizer para a direção do Carrefour, se quiserem fazer isso no seu país de origem, que façam, mas neste país a gente não vai admitir o racismo que essa gente tenta impor ao Brasil”. O recado está dado!

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Cristina Esteche

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