Cristina Esteche

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Um belo dia resolvi voltar, mas aviso: vou ser radical

Um belo dia resolvi voltar. E eis que o blog que estava em recesso retorna. E em ano de eleições. Portanto, não haveria ocasião melhor. Afinal, a água já começou a esquentar no caldeirão e promete borbulhar em alta temperatura.

Bom, pra começar quero dar um aviso aos navegantes. O que vou escrever neste espaço trata-se uma visão analítica dos fatos que norteiam a política partidária, e apartidária, por este ‘Brasilzão’ de meu Deus – o Deus, ou os deuses da minha fé. Portanto, não tenho a intenção de agradar este ou aquele, mas de mostrar a política como ela é. A partir da minha visão, é claro. E para isso, vou me despir da ideologia política para dar lugar ao jornalismo crítico, sem nuances, mas formador de opinião. Coisas que já venho fazendo há mais de três décadas de profissão. Não! Faço ‘mea culpa’. Essa visão aprendi no decorrer da caminhada e é assim que vou continuar sendo, uma eterna aprendiz.

E por isso, sei que não vão faltar críticas, pré-julgamentos,  ‘cruxificação’ e até o crepitar do fogo numa verdadeira caça às bruxas. Mas não me importo. Afinal, já sou comunista, esquerdista e até já me transformaram  em ‘bolsonarista’. Só porque vesti uma calça camuflada. E em outra ocasião vieram tirar satisfação porque uma bandeira, a bandeira do meu país, caiu da porta do carro no estacionamento de um supermercado. Pronto! Lá veio um ‘esquerdista’  dizer que eu tinha “mudado de lado”.

No entanto, ao mesmo tempo que digo “estou nem aí”, tenho uma grande inquietude.  Percebo que setores à direita e à esquerda, sob espectro político-ideológico, apostam no radicalismo como forma de aniquilar as ideias das quais divergem. Sei muito bem como é isso, porque já fui radical. Porém, sem extremismo.

Entretanto, me preocupa a postura adotada por parte da população. Aquela que extrapola nas reações e leva o debate político para um nível tóxico, que só prejudica o amadurecimento da relação da sociedade x política. Não estou falando aqui da tão falada “polarização”. Até mesmo porque acredito que a política brasileira de certa forma sempre foi polarizada.

Mas sei que estamos vivendo um tempo de adaptações, de enfrentamento ao desconhecido. A pandemia do coronavírus  destrói o planeta. Tudo ficou mais complicado. Há uma mistura de emoções, de julgamentos. Os ‘juízes’ surgem por todos os lados num desmantelamento das relações sociais que já estavam desgastadas. As posições extremistas chegam a comprometer o aparecimento de soluções eficientes para conter a pandemia. E enquanto isso, pessoas em todas as camadas estão morrendo. Parece que todo mundo, em todas as situações, está agindo no limite da radicalidade. Até a pandemia está politizada. São dois lados que se degladeiam como inimigos.

Assim  sendo, percebo que o debate saudável está longe de existir. Que o espírito de união, de resiliência, de empatia não ocorre mais no Brasil. Significa dizer que, lamentavelmente, as avalanches de radicalismo despejadas nas redes sociais, alimentam  as ‘bolhas’ de onde se insurgem o ódio contra aquele que pensa diferente. Tanto isso é verdade que um estudo feito pelo Instituto Ipsos mostrou que os entrevistados no Brasil estão menos propensos a aceitar as diferenças. Segundo o instituto, 32% dos brasileiros acreditam que não vale a pena tentar conversar com pessoas que tenham visões políticas diferentes das suas.

Mas por aqui, nesse retorno quero mesmo é fazer o que mais gosto. Quero sorver cada trago dessa cachaça que vem em dose tripla: jornalismo x política x escrita. Quero pegar cada palavra solta no ar. E um aviso: resolvi que vou voltar aos velhos tempos de mim. Vou ser radical, sim. Mas na promoção do diálogo, no debate das ideias, no respeito às diferenças de opinião. E convido você a embarcar nessa comigo.

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Cristina Esteche

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