Cristina Esteche

Compromisso com o leitor

Início » O tiro que pode sair pela culatra

O tiro que pode sair pela culatra

Tiro pela culatra (Foto: Reprodução/Pexels)

Entre tiros, a ação da quadrilha de assaltantes que causou pânico em Guarapuava expõe mais uma vez a diferença gritante de aparelhamento entre bandidos e policiais. Novidade? Nenhuma! Diuturnamente, há anos, a mídia nacional mostra confrontos entre policiais e o crime organizado. O que ocorre é que essas ‘guerras urbanas’ estavam distantes de nós. A maioria delas em favelas do Rio Janeiro.

Todavia, só nos damos conta da gravidade desse cenário quando sentimos na pele. E foi isso que ocorreu na noite em que Guarapuava viveu cenas de terror. Essa situação, no entanto, deve reacender o sinal de alerta para o chamado ‘nova cangaço’. Desde que essa organização criminosa surgiu, em 2019, há ações orquestradas com os mesmos métodos. Para se ter uma ideia, entre 5 e 16 de abril, foram pelo menos 10 ataques em cidades diferentes. A quadrilha atacou cidades de quatro estados: São Paulo, Paraná, Bahia e Minas Gerais. De acordo com notícias que circularam na imprensa, os alvos foram ao menos 13 agências bancárias e uma financeira.

Como se vê, os bandos preferem atacar, na maioria das vezes, instituições que guardam dinheiro em cidades pequenas e de médio porte. Isso porque as forças de segurança não têm poderio bélico para enfrentar bandos fortemente armados como o que agiu também em Guarapuava. São armas de ‘grosso’ calibre, que seriam de uso exclusivo das Forças Armadas. Além disso, o  aparelhamento do bando também com carros blindados; a cidade cuidadosamente mapeada e ‘ilhada’, está muito distante da fragilidade policial. Mesmo assim, todo o planejamento criminoso não atingiu o objetivo. A quadrilha composto por cerca de 30 homens fugiu da cidade com as mãos vazias e corpos feridos.

CANGACEIROS

Conforme a polícia, o ‘novo cangaçõ’, numa alusão ao histórico bando de Lampião. Era o cangaceiro que aterrorizava cidades do sertão nordestino em meados de 1930. No entanto, as condições atuais são diferentes. Há o contrabando internacional de armas; os desvios irregulares de munições das forças de segurança e de explosivos de pedreiras. E essa é uma falha estrutural da segurança pública nacional. Trata-se, portanto, de uma das mazelas que inundam o País. Não é um caso isolado do Paraná. Esse fato deve ser dito.

DISCURSOS OPORTUNISTAS

Em paralelo a isso tudo, presenciamos discursos e ‘posts’ oportunistas que ‘navegam’ por grupos e redes sociais. Pautados pela falta da valorização dos policiais – e isso é certo -, pela falta de viaturas, pela redução do efetivo, entre outras carências, tratam-se, no entanto, de palavras vazias, cobranças efêmeras, discursos típicos da oposição. Digo isso porque, a maioria desses interlocutores esteve ou encontra-se em posição de poder. Portanto, tiveram ou têm a chance de irem à luta, de mudarem situações como as que estão sendo criticadas hoje. Mas não o fizeram. Hoje surgem atos solidários das mais variadas fontes. Até de lideranças que aqui nunca tinham pisado antes. E como os discursos mudam rapidamente, de acordo com as variações de interesses.

E o que se percebe, e já faz muito tempo, é que é também muito cômodo ‘pegar carona’ em fatos momentâneos. Tudo para atacar aquele que encontra-se no posto que ora está sendo almejado. É muito fácil, portanto, pular para o outro lado. É muito mais fácil atirar a primeira pedra do que se defender. E como pudemos vivenciar no último domingo quando os criminosos ‘bateram’ em retirada, tem muita gente por aí dando tiro que pode sair pela culatra.

Leia outras notícias no Portal RSN.

 

Cristina Esteche

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao topo