Cristina Esteche

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Panela no fogo, barriga vazia. E você, tem fome de quê?

Fome! (Foto: Pixabay)

Se tem algo que me causa inquietação é saber que há pessoas passando fome. Eu não vou tratar aqui de um recorte nacional, mas sim de um bem específico, que é a falta de comida na mesa do guarapuavano.

Relembro que no auge da pandemia, quando junto ao Shopping Cidade dos Lagos e mais de 40 entidades locais, o Portal RSN, chamou a campanha ‘Rede Solidária de Combate à Fome’. E ou falar aqui no plural, porque criamos uma colmeia que resultou em 160 mil quilos de alimentos. Aliás, iniciativa que serviu como exemplo para a radialista Mônica Córdova organizar a campanha do ‘Setembro Amarelo’ na cidade.

Mas agora volto à primeira pessoa para contar a história de uma mãe que mora em Guarapuava, que como muitas mulheres brasileiras, suplica por alimentos para colocar nos pratos da família. Mãe de cinco filhos, todos pequenos, ela não consegue trabalhar fora. O provento vem dos R$ 40 que o marido recebe no trabalho como diarista. E é claro que tem as taxas de água, luz e aluguel. Portanto, ali não há menor possiblidade de ficar doente. As crianças também estão impedidas de comer alguma coisa que tenham vontade. E ainda: a mulher não pode menstruar. Vai tirar dinheiro de onde pra comprar o absorvente, por exemplo?

Trata-se, portanto, de mazelas cotidianas que desembocam no colo do Portal RSN, como uma última réstia de esperança. Mas são tantas e tantas e tantas. E me refiro aqui, não somente aos incontáveis pedidos de  comida que chegam quase todos os dias, também à miséria humana. À fome de justiça, de políticas públicas, de sair dessa passividade, achando que tudo o que acontece é porque Deus quis assim. Afinal, Deus está acima de todos. Portanto, pode justificar a fome, a pandemia, a corrupção,  as mortes provocados  por um vírus. Aquele que enfraquece com doses de vacina.

Aliás, esse Deus de cada um deve estar exausto. Agora, até para resolver o desabamento que matou mais de 120 pessoas e deixou mais de uma centena de desaparecidos em Petrópolis, o Presidente Bolsonaro ‘terceirizou’ a atribuição. E a quem? “A gente pede a Deus que não tenhamos mais. A gente lamenta e pede a Deus que conforte todos os familiares. Somos solidários a todos os nossos irmãos e tudo faremos para minorar o sofrimento do povo da região. Nós vamos fazer a nossa parte”. Pois é! Em 2011 tragédia semelhante já tinha ocorrido. E alguém fez alguma coisa? Ah! As palavras são jogadas ao vento para serem esquecidas poucos segundos depois. Mas por que se preocupar se Deus resolve tudo?

Entretanto, essas cenas de crônicas vistas, ouvidas e escritas diariamente, causam fome, sede e revolta. Afinal, você tem fome de quê? O povo quer comer, quer ter prazer, quer fazer amor. E sabe por quê? Pra aliviar a dor – com licença Titãs. Que o digam as mães com cinco, 10 filhos. Que chorem as mães que ao meio-dia olham para os filhos e veem as panelas vazias. Enquanto tudo isso, todas essas pessoas compõem o cinturão desgovernado de miséria que assola as cidades, continuam como uma legião cega, faminta. Mas neste ano de eleições, eles estarão de volta. Há quem alimente a cada fração de segundo a voracidade mordaz. De quem? Daqueles que fazem das palavras a isca para atrair o povo, que continua com a barriga vazia.

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Cristina Esteche

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