Cristina Esteche

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Pessoas cegas, na maioria, não são reconhecidas como consumidoras

Debate no Procon (Foto: Procon/Guarapuava)

Imagine situações como essas: uma pessoa cega vai a uma loja comprar uma peça de roupa, um calçado ou qualquer outro produto. Compra, paga e vai pra casa. Chegando lá, percebe que o tênis que imaginou ter comprado seria preto, mas levou azul. Ou comprou uma blusa e recebeu a peça rasgada ou com o valor alterado. Pois estas situações são reais e ocorrem em Guarapuava. São depoimentos de pessoas que estão participando desde quinta (16), de um encontro no Procon de Guarapuava. A intenção é identificar as dificuldades dos deficientes visuais no mercado, em parceria com a Apadevi.

Ouvindo relatos como os acima descritos dá pra perceber a falta de empatia. Aliás, de reconhecer o deficiente como pessoa e, principalmente, como consumidor. Será que essas pessoas não comem, não se vestem, não se divertem, não ficam doente? Não sentem necessidades como outra pessoa qualquer? Então questiono a qualidade de atendimento oferecido por parte do comércio. E a falta de preparo de quem atende? Como fica a acessibilidade? Como essas pessoas se locomovem pelas ruas e calçadas? Como atravessam as ruas? E onde não há rampas ou elevadores? E nos restaurantes e danceterias há espaços pensados para dar comodidade e atrair esse público?

Você sabe que no Brasil existem 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência? Pois é! E cerca de sete milhões são deficientes visuais. E apesar da existência da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o acesso ao mercado consumidor ainda é limitado. O uso de aparelhos como uma TV, um celular, um fogão ou máquina de lavar também pode ser um transtorno. Pois é. Guarapuava é cega para essas questões. Há muita precariedade. Até existe uma lei municipal para que restaurantes e similares tenham cardápios em Braile. Mas é apenas mais uma entre tantas que não são cumpridas.

E aqui, sem protecionismo nenhum, mas por questão de justiça, louvo a iniciativa do Procon que abriu os olhos a esse público. Que traz à tona temas que nunca foram discutidos por esse órgão em momento algum que se tenha conhecimento. Por isso, não é à toa que Guarapuava se destaca nacionalmente quando o assunto é Procon. Porque aqui, na visão do prefeito Celso Góes e da coordenadora Luana Esteche, a defesa do consumidor é política pública.

Tanto é que a partir dessa conversa que continua nesta sexta (17) no Procon, já há informações de que avanços vão ocorrer. Mas é preciso, antes de mais nada, que as pessoas que olham, mas que não veem, mudem as atitudes, revejam conceitos. E que passem a ver os cegos fora da enorme bolha da invisibilidade.

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Cristina Esteche

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