Cristina Esteche

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Sem ‘Paixão de Cristo’ ficam os aplausos como eco na pedreira da Praça da Fé

Paixão de Cristo (Foto: Secom/Prefeitura Guarapuava)

Guarapuava e Região, mais um ano, se ressentiram com a falta do espetáculo religioso da Paixão de Cristo. Chegando a atrair cerca de 40 mil pessoas à Praça da Fé, cenário da encenação religiosa, a atração teatral foi padecendo aos poucos. Assim como ocorre com a maioria das tradições que se estancam com o passar das gerações.Afinal, tudo o que fica na oralidade, sem registros, tende a se acabar. E são tantas tradições, como as benzedeiras, os ‘bailes de São Gonçalo’, a Festa do Divino, a ‘Recomenda das Almas’ com o som seco da matracas, a ‘Mesada dos Anjos. Estas duas últimas, próprias da Sexta-Feira Santa.

Mas voltemos ao espetáculo na Praça da Fé. Era uma verdadeira interação das paróquias da Diocese. Eram crianças, jovens, adultos, idosos. A inclusão ocorria em todos níveis. Todos reunidos em torno da Via Sacra até a Ressurreição. A apresentação mobilizava artistas, costureiras, pessoas comuns, técnicos, e mais uma infinidade de profissionais, durante meses. Todos sob a batuta da Companhia Arte&Manha, hoje Felchak Produções, mas produzido pela Diocese. A Prefeitura entrava com o apoio. Era um espetáculo aguardado por todos, independente da crença.

Ônibus da Região estacionavam trazendo fieis. O clima da religiosidade envolvia a cidade. A cada saga, a cada diálogo e cenas, a emoção tomava conta do público. Mas o espetáculo durou até 2012. Depois, porque a Diocese entendeu que o roteiro devia ser apenas bíblico, o evento passou para outras mãos. Não que a Companhia desviasse o propósito religisoso. Eles procuravam inovar a cada apresentação, novas interpretações, trazendo analogias sociais.

Mas infelizmente o grupo que assumiu não se sustentou. Assim como tudo que fica na oralidade some nos anais da história, a Paixão de Cristo encenada em Guarapuava, também acabou. Apesar da paixão dos produtores, diretores, atores, figurantes e do público, a ‘cortina ‘ se fechou, restando apenas o eco dos aplausos ressoando na pedreira da Praça da Fé.

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