Cristina Esteche

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Sobre a política 50-50 e o assédio moral

Imagem: ONU Mulher

Há algum tempo assumi um compromisso comigo mesma de ler um artigo por noite. Não importa o assunto, o que interessa é a leitura. Numa das noites desta semana, me ative à pauta sobre a Agenda 2030 e a iniciativa global ‘Por um planeta 50-50 em 2030’.

Considerada um passo decisivo pela igualdade de gênero, a iniciativa prega a construção de um mundo que dependa de todas e todos. Ou seja, mulheres, homens, sociedade civil, governos, empresas, universidades e meios de comunicação. A tônica é que todos trabalhem juntos de maneira determinada, concreta e sistemática para eliminar as desigualdades de gênero.

A proposta é linda e urgentemente necessária. Feia são as palavras que pautam discursos que saem da boca de homens, quando na prática atitudes os traem. Buscam estar no topo alimentando em discursos o que o público alvo deseja ouvir. Mas o que se fala não se escreve?

Demonstram que o machismo ainda impera. Creio que agressões verbais – e tenho presenciado algumas onde mulheres são vítimas – se traduzem em assédio moral. São situações humilhantes e constrangedoras no ambiente de trabalho, e o que é ainda pior, fora dele. É uma conduta que traz danos à dignidade e à integridade da pessoa, colocando a saúde em risco e prejudicando o trabalho quando se trata de desmotivação. E olha que as vítimas são muitas e podem estar ao meu, ao seu lado, na convivência do dia a dia. E se há vítimas, há agressores. Trata-se de pessoas despreparadas psicologicamente, sem estrutura emocional para liderar outras.

Mas infelizmente, esses ‘vícios’ são estruturais e ‘nascem’  numa sociedade machista. A dinâmica existente mantém os homens na centralidade do poder e as mulheres à margem deles. Por isso, a iniciativa global da ONU é urgente. Desde que seja real.

É preciso e necessário discutir a paridade de gênero como uma estratégia para eliminar obstáculos sexistas. Esses que impedem as mulheres de viver com igualdade, com respeito, com reconhecimento do potencial profissional. Como formuladoras, negociadoras e executoras de políticas públicas. Vale lembrar que as mulheres são mais da metade da população brasileira. E o que se espera é que elas estejam nas arenas de poder de todas as esferas governamentais e institucionais.

Se faz necessário, porém, que líderes homens saibam e aceitem que quando uma se sobressai, mais mulheres acabam inspiradas. Certa está Michelle Bachelet, presidente chilena, quando diz: “Quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando muitas mulheres entram na política, muda a política”. E que assim seja. Que o ‘Planeta 50-50 se concretize, mas que seja de fato.

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Cristina Esteche

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