Cristina Esteche

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Tem mais sobre o lado bizarro de estudantes de medicina da Unisa

Tem mais sobre o lado bizarro de estudantes de medicina da Unisa (Imagem: Reprodução/YouTube)

A vereadora Cris Wainer (PT) de Guarapuava mostrou indignação ao usar a tribuna numa das sessões desta semana. Ela repercutiu a atitude abominável de cerca de 15 estudantes de medicina da Universidade Santo Amaro. Como se sabe, esse grupo promoveu uma simulação de masturbação coletiva, chamada de ‘punhetaço’, durante jogo de vôlei de equipes femininas. Embora o fato tenha ocorrido entre os dias 28 de abril e 1º de maio deste ano, vídeos das cenas grotescas só viralizaram no último fim de semana.

Como se não bastasse a atitude de quem estuda para salvar vidas, nesta quarta (20) trechos do ‘hino’ dos estudantes de medicina dessa universidade acabaram ganhando a imprensa nacional. “Enfia o dedo nela que ela vai ‘arreganhar’… Na rima do pudendo [nervo misto responsável pela inervação sensitiva e motora do períneo e da genitália externa em ambos os sexos], eu entrei mordendo”. É a Med Santo Amaro que está te fudendo. Medicina! Santo Amaro! Ôoo”.

Por mais ‘mente aberta’ que seja, não há estômago que aguente letras e atitudes como essa – que, aliás não perdem em nada para certas letras de funk. É a banalização da cultura, o cúmulo do desrespeito, inversão de valores ‘envelopados’ em ações misóginas. Vivemos numa luta insana pela valorização da mulher, contra a violência de gênero. Nos estarrecemos quando ficamos sabendo que médicos se envolvem em casos de estupro contra pacientes. Se para a opinião pública isso é uma anomalia, para parte dos estudantes de medicina parece ser fato corriqueiro, ou como costuma se dizer por aí, ‘cultural’.

E não é um caso isolado. No Rio de Janeiro, num jogo de futebol entre universidades, estudantes de medicina do Rio cantaram refrãos preconceituosos contra colegas do Espírito Santo: “é, eu sou playboy, não tenho culpa se seu pai é motoboy”. Que fique muito claro que não estou generalizando e nada tenho contra cursos de medicina. Pelo contrário. A sociedade precisa de médicos, mas que sejam comprometidos com o juramento que prestam no ato da formatura. Daqueles que deixam poder financeiro de lado e respeitam a vida.

Mais do que nunca, é preciso se indignar e dizer que o desrespeito e a objetificação das mulheres são inaceitáveis em qualquer setor da sociedade, principalmente no âmbito da universidade, de um curso que lida com a vida.

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Cristina Esteche

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