Cristina Esteche

Compromisso com o leitor

Início » “Tem sangue retinto pisado atrás do herói emoldurado”, canta a ‘verde e rosa’

“Tem sangue retinto pisado atrás do herói emoldurado”, canta a ‘verde e rosa’

“A história que a História não conta”. Desfile da Mangueira em 2019 (Foto: Paulo Carrano)

Sempre que me deparo com o busto, estátua ou quadro de um herói, procuro ter uma visão mais crítica sobre os feitos que essa pessoa fez para merecer a homenagem. Muitas vezes, ao ‘mergulhar’ na história, percebo uma inversão. Felizmente, posso me ‘penitenciar’ pelo aprendizado recebido na escola e imortalizado nos livros. Vejo que a Princesa Isabel não é a ‘Redentora’ e que, no caso dos indígenas, os ‘bandeirantes’ e outros colonizadores são, na verdade, anti-heróis, no meu entendimento.

Digo isso, porque basta ler a biografia de cada um deles para se deparar com trajetórias de violência, assassinatos e omissões. Ou seja, a glória tão enaltecida desses ‘caçadores’ têm como pilares o extermínio indígena. Nada melhor do o que samba-enredo da Mangueira, em 2019, com a “História para ninar gente grande”.

Esse samba-enredo conta a saga dos heróis negros e indígenas, omitidos pela história brasileira. “Tem sangue retinto pisado atrás do herói emoldurado”. Nada mais verdadeiro do que essa frase. E ela continua mais atual do que nunca. Que o diga a situação dos Yanomamis, dizimados em pleno século 21 e por quem deveria tutelá-los.

Pois então, não precisa nem se aprofundar nessas questões para saber que, considerando a atual conjuntura, há uma minoria que continua sendo os ‘bandeirantes’ de outrora. E aí eu pergunto: onde estão os bustos dos nossos verdadeiros heróis? Onde está a história de cada um entre os heróis da nossa História?

Leia outras notícias no Portal RSN.

Cristina Esteche

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao topo