Cristina Esteche

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Tudo começou com luta, mas acabou em festa

Os dias que marcam 2022 passam correndo. E, por força do tempo, chegamos ao primeiro dia de maio. Pelo calendário estamos no Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador, como queiram.

Foto: Reprodução/Memória

Em Guarapuava, a tradicional pescaria atraiu pessoas já na noite de sexta. Uma estrutura impecável como há muito não se via está montada no Parque do Lago. A programação? Nem se fala. Há eventos espalhados por toda a cidade. São atividades para todos os gostos, para todas as ‘tribos’. Do truco ao ‘beach tênis’.

Como se vê, por conta da cultura que se institui na Era Vargas, o dia é de comemoração. Mas vamos à origem desse dia? Tudo começou por causa de um conflito entre trabalhadores e patrões em 1º de maio de 1886, em Chicago, centro industrial dos Estados Unidos.

De acordo com a história, os trabalhadores revoltados com as condições desumanas de trabalho saíram às ruas. Eles pediam a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. O ato paralisou os Estados Unidos e ficou marcado por passeatas, piquetes e violência. Os confrontos entre policiais e operários resultaram na morte de centenas de manifestantes e policiais. Além disso, dezenas de pessoas ficaram feridas no conflito conhecido como Revolta de Haymarket.

No Brasil ganha roupagem de festa

A partir de então, a data foi adotada por 180 países. No Brasil, conforme a história, há registros de manifestações operárias já no fim do século 19. A data virou um feriado nacional por um decreto do então presidente Artur Bernardes, em 1925.

Entretanto, a data foi cooptada pela máquina estatal na gestão Getúlio Vargas, entre 1882-1954. Sem alterar o decreto original, o presidente mudou o protagonismo. Ou seja, deixou de ser o Dia do Trabalhador para se tornar o Dia do Trabalho. Mudança que no meu entendimento é apenas uma questão de semântica.

A partir de então, a manifestação que nasceu como ferramenta de luta em busca de melhorias ganha roupagem de festa. Tudo bem. Getúlio Vargas assinou o Decreto-Lei nº 5.452, garantindo direitos básicos, como salário mínimo e duração da jornada de trabalho.

Entretanto, os sindicatos ainda organizam protestos por melhorias salariais, principalmente. Mas a festa, a confraternização ainda se sobressai aos apelos políticos.

*Pensei numa canção que traduzisse um pouco o cotidiano de um operário. Aquele que está na base da pirâmide da classe trabalhadora. Escolhi ‘Construção’ de Chico Buarque. Curta, mas acima de tudo intérprete e reflita. Bem, tenha um feliz dia do trabalhador, ou do Trabalho, como queira. E que assim seja por todos os dias que estão à nossa frente.

Cristina Esteche

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