Cristina Esteche

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Tutores que abandonam animais precisam saber que isso é crime

Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava)

O número de cães e gatos abandonados pelas ruas de Guarapuava é um caso de saúde pública. Se em 2020 uma reportagem feita pelo Portal RSN apontava que cerca de 25 mil animais perambulavam pelas ruas da cidade, agora esse número saltou para mais de 80 mil. Considerando que diariamente famílias se ‘livram’ dos animais que um dia foram de estimação, esse número é bem maior.

De acordo com dados nacionais, a pandemia de Covid-19 foi um dos grandes gatilhos para esse crescimento. A causa está na desestabilização das famílias e o alto índice de desemprego. No entanto, o abandono de animais não é uma novidade pandêmica. Segundo estudos sobre o assunto na América Latina, pessoas sempre abandonaram animais pelos mais diversos motivos. Mas os principais são ligados a problemas comportamentais apresentados pelos bichinhos ou mudanças no estilo de vida dos tutores. A mudança de casa para apartamento, é um exemplo. O nascimento de um filho, é outro.

Bem, mas seja por qual dos motivos for, abandonar um bichinho é crime. Está previsto na lei dos maus-tratos aos animais e é passível de prisão. A pena é de detenção de três meses a cinco anos e multa. Afinal, o abandono é uma forma de mau-trato. Está previsto no Artigo 32 da Lei Federal nº 9605. E ainda provoca outras consequências. A proliferação de zoonoses [doenças transmitidas por animais a humanos] e os ataques a pedestres são as principais consequências para a sociedade.

Por isso, torna-se ainda mais urgente a temática da posse responsável. E nesse sentido, campanhas de conscientização devem ser ininterruptas. Mas o indispensável é também uma política pública de castração de animais. Para se ter uma ideia, uma fêmea canina tem dois ciclos gestacionais por ano. Um animal de meio porte dá uma ninhada de seis filhotes em média. Geralmente, a maioria é fêmea. Dá pra imaginar a cadeia reprodutiva desse animal? E pra conter é somente a castração. Sei muito bem que o Canil Municipal, que Ongs e cuidadores fazem a parte deles. Mas é preciso muito mais.

Por isso, repito. É preciso implantar programas educativos  que levem a população a assumir deveres. Mas se faz necessário associar as práticas educativas a programas de vacinação, esterilização e monitoramento epidemiológico. Afinal, há risco às pessoas com a transmissão de zoonoses, acidentes. E ainda é preciso ter a consciência de que assumir a posse de animal é ser responsável pela guarda de uma vida.

Por isso, aplaudo aqui a minoria (Ongs, cuidadores e protetores) que assume uma responsabilidade que não é apenas dela. É consequência de tutores que descartam um animal como se fosse um produto qualquer, colocando em risco um universo de pessoas e de animais. E se o Poder Público tem deveres, porque também é uma questão não apenas de saúde, mas do meio ambiente, a sociedade tem que fazer a parte dela. Vem aí um Banco de Ração Municipal. Se cada um doar um pouco, se cada um doar uma vacina e, principalmente, adotar um animal, vai contribuir para que esse problema, que é de todos, seja minimizado.

EM TEMPO: Há uma bancada defensora dos animais. Há muito anos o Portal RSN teve uma parceria com o vereador Marcio Carneiro na arrecadação de ração e casinhas para cães. Contemplamos a cuidadora Sheila em Entre Rios que à época tinha mais de 100 animais em casa. Dognei se elegeu vereador e foi reeleito em nome da causa. Mas méritos aqui para a vereadora Professora Bia que abraçou a causa e propôs a criação do Banco de Ração. E a atuação dela nesse tema prevê outros projetos que vão merecer destaque.

SERVIÇO

Denúncias de maus tratos 156 –  Pedido de resgate: 3142 1819

 

Cristina Esteche

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