Cristina Esteche

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Uma carreira de sucesso ‘marcada’ pelo vil metal

Larissa Manoela em ‘Maria Joaquina’ (Foto: Divulgação)

O caso que toma conta da mídia nesta segunda (14) está pautado na entrevista de Larissa Manoela ao programa ‘Fantástico’. A entrevista ocorreu na noite desse domingo (13) e se sobrepõe a qualquer outro assunto de interesse nacional. Há quem condene a atitude dos pais da ‘garota prodígio’, que começou a carreira aos quatro anos de idade aqui em Guarapuava. Lari tem hoje 22 anos. Portanto, teve a infância, a adolescência e agora a juventude, com uma corrida insana para cumprir a agenda de compromissos.

Conheci a Larissa no começo da carreira. Quem me sugeriu uma entrevista foi Marcelo Germano, então dono de agência de modelos em Guarapuava. Ele me falou sobre uma criança que havia sido selecionada para um catálogo de uma rede de supermercados de Santa Catarina (se não me engano). Larissa Manoela foi a escolhida. E uma manhã sentou à minha frente com a mãe e o avô.  Era uma menininha com vestidinho xadrez em preto e branco e um laço vermelho. Lembro perfeitamente que a cada pergunta que fazia, a mãe tentava responder. Até que ela se impôs e disse que  entrevistada ali era ela.

Começava então uma carreira promissora como atriz, cantora, modelo. Acompanhei cada passo daquela guarapuavana de origem humilde. Todas as lutas do pai Gilberto morando com ela em São Paulo. Era ele quem a maquiava, fazia ‘chapinha’ no cabelo dela e a acompanhava pelos testes da vida. Quem me passava as informações era a Silvana e o avô – já não lembro o nome dele. Sei que Marcelo Germano ‘bancou’ o aluguel do lugar onde a Lari e o pai moravam. Como todo começo de carreira, a batalha diária era grande.

A CHEGADA DO SUCESSO

(Foto: Divulgação)

Vieram os primeiro desfiles, o primeiro musical. Lembro que a Silvana me contou que Lari concorria com mais de mil candidatas. E que ela se surpreendeu quando soube que a filha cantava e dançava, além de interpretar. Esse conjunto valeu o papel no Musical. Depois veio a participação no filme ‘O Palhaço’ de Selton Melo. Mas o sucesso mesmo nasceu com a personagem Maria Joaquina em Carrossel. Depois ela deu via às gêmeas Isabela e Manuela em ‘Cúmplices de um Resgate’ e Mirela em ‘As Aventuras de Poliana’, todas no SBT.

Em seguida, vieram vários filmes, alguns produzidos pela produtora de Larissa Manoela. Veio também o sucesso como cantora e, por último, a TV Globo. Sonho de consumo de qualquer atriz ou ator. E assim, á medida em que o sucesso subia, a distância entre nós aumentava. Normal! O último contato que tivemos foi quando ela apoiou a campanha de arrecadação de alimentos do Portal RSN durante a pandemia. Além de gravar um vídeo para a campanha, ela foi uma das doadoras.

Pelo relacionamento inicial que tive com os pais dela, conheço um pouco sobre os desejos que eles tinham para ela. Um deles é que a Lari criasse um asilo para idosos abandonados. Isso me foi dito pelo Gilberto, o pai.

FILME TRISTE

Silvana, Gilberto e Larissa Manoela (Foto: Reprodução)

Pela força da profissão continuei acompanhando a carreira dela, a mudança de vida, os projetos, os sonhos. Mas confesso que não esperava que o sucesso financeiro se transformasse num obstáculo que acabou ‘rasgando’ uma relação entre pais e filha. Aliás, a única filha do casal. Não cabe a mim fazer qualquer juízo de valor sobre o caso que se transformou num escândalo no cenário artístico nacional.

E o que também chama a atenção é sobre a realidade vivida por artistas que começam desde crianças. Temos aí um documentário sobre o ‘Balão Mágico’ que traz à tona coisas absurdas. Agora vem a Xuxa com revelações que chocam. Depoimentos de outras artistas que também começaram a ter sucesso enquanto adolescentes ‘pipocam’ nas redes sociais. Denotam mágoa contra os pais que também administravam o dinheiro. Certo ou errado? Superproteção? E a lei, o que diz nesses casos. Há brechas sim, que dão direitos para que os pais possam fazer exatamente o que Gilberto e Silvana estão fazendo. Mas a lei também assegura aos filhos, uma vez maiores de idade, o direito de pelo menos participar da administração financeira daquilo que é dele.

Bem, acho que casos como esse valem como reflexão. Até que ponto é saudável uma criança ‘trabalhar’ durante a infância e adolescência? Não seria uma linha muito tênue em relação à exploração de mão de obra infantil? Mas isso é um assunto que cabe aos legisladores. Mas é muito triste ver alguém que lutou tanto para chegar ao topo ter a família dilacerada por questões financeiras. E olha que há muito para todos eles. E como se diz, o dinheiro compra tudo. Menos a felicidade.

EM TEMPO

De repente me veio à mente um pedaço da música ‘Como nossos pais’, interpretada pela imortal Elis Regina.

“Hoje eu sei que quem me deu a ideiaDe uma nova consciência e juventude‘Tá em casaGuardado por deusContando vil metal”.

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Cristina Esteche

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