Cristina Esteche

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Vamos ficar no campo dos debates enquanto o ‘Santa Tereza’ agoniza?

Santa Tereza: um gigante que sucumbe (Foto: Divulgação)

Tenho acompanhado de perto a situação caótica do hospital Santa Tereza (Instituto Virmond). A cada dia que passa o cenário é de desmonte. Faltam medicamentos, insumos para cirurgias, médicos. E o que considero também o cúmulo da miséria: a despensa está vazia. E não é apenas de alimentos, mas de louças, talheres, panelas. Não sei como está a situação da enfermaria, mas considerando a atual conjuntura, deve estar faltando lençóis e cobertores. O gigante sucumbe sob os olhos de uma sociedade que depende dos préstimos dele.

Portanto, a situação é também desesperadora para os mais 800 servidores. E aí incluo todos, sem exceção. Além do atraso da folha de pagamento, há o ‘fantasma’ da perda de emprego, que pode provocar um grande problema social. Aliás, mais um. Tudo isso é grave? É gravíssimo. Isso por que é um universo que já ultrapassa 500 mil habitantes que vai ficar sem referência, caso o ‘Santa Tereza’ feche as portas. E olha que isso está muito próximo de acontecer. E alguém já imaginou como vai ficar o São Vicente, como único hospital para atender essa demanda? A situação, portanto, é gravíssima, repito.

O que eu não entendo é a passividade dos prefeitos, não só de Guarapuava, mas da Região que depende de Guarapuava. Afinal, a cidade é polo também nessa área. Será que vai ser preciso desenhar ou esperar que o caos se instale para que alguém possa erguer a voz? Independente da legalidade, é preciso socorrer o hospital, nem que seja com a doação de alimentos. Entendo que debater a saúde plena, ou a base estrutural desse setor é de grande importância. Mas enquanto esses temas vêm à tona, deixa-se o moribundo fechar os olhos enquanto se fica no campo dos debates?

Acho que não importa se uma ação é isolada ou é coletiva. O que vale são as iniciativas levadas a Brasília nas mãos da ministra da Saúde, Nisia Trindade. Essa foi o resultado da mobilização organizada para debater o Hospital Regional, mas que o Santa Tereza tomou a frente. Todos acolheram. Porque um dos mais tradicionais hospitais de Guarapuava e da Região está dando o último suspiro. E que bom que essa situação mais uma vez foi debatida. Que bom que o assunto chegou ao Ministério da Saúde. Acho excelente que tenha sido pela influência do deputado federal Zeca Dirceu que nunca fechou os olhos para Guarapuava. E que outros ‘zecas’ se somem à causa.

Que deputados apresentem emendas, mas que vejam os pacientes e não os diretores. Que se preocupem com as pessoas que dependem da saúde pública, dos benefícios do Sistema Único de Saúde (SUS). E que a diretoria preste contas. Afinal, é dinheiro público.

Em relação ao Hospital Regional ainda não existe previsão para o funcionamento total. Há ajustes estruturais na edificação que precisam ser executadas. Enquanto isso não ocorre, é preciso injetar ‘oxigênio’ e aumentar a vida útil de quem já está nos tubos.

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Cristina Esteche

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