Cristina Esteche

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Violência contra jornalistas pauta o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

(Imagem: Divulgação)

Datas é que não faltam nos calendários nacional e internacional para celebrar o Dia da Liberdade de Imprensa. Esse é apenas um termômetro para medir a importância dessa prática no mundo. E essa liberdade, no entanto, ganha uma tarja preta cada vez que um jornalista é desrespeitado, agredido ou morto. E neste dia, em especial, cobramos uma resposta sobre o desaparecimento do jornalista Dom Phillips, colaborador do jornal ‘The Guardian’. Junto com ele, o servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai) Bruno Araújo Pereira também sumiu na Região do  Atalaia do Norte (AM) no domingo (5).

Bruno Pereira é tido como experiente e profundo conhecedor da Região, comprometido com a defesa dos povos indígenas. Ele denunciou o desmonte da Funai no governo de Bolsonaro (PL). Dom Phillips é um proeminente repórter internacional que já trabalhou para o ‘The Washington Post’, o ‘New York Times’ e o ‘Financial Times’. No Brasil há mais de uma década, ele vive na Bahia. Entre os colegas, é conhecido pela admiração com a Amazônia, para onde foi com objetivo de expor o impacto da atuação de criminosos ambientais.

Uniu-se, portanto, a fome com a vontade de comer num cardápio recheado de crimes ambientais e contra a pessoa. É o retrato de um Brasil onde impera a truculência, os desmandos e as perseguições. Pois é! E o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa surgiu para chamar a atenção sobre a importância da defesa à integridade dos jornalistas profissionais. Afinal, cada vez mais, sofremos com ataques e ameaças no exercício da profissão.

VIOLÊNCIA COTIDIANA

Para que se entenda melhor sobre o que estou falando, é preciso saber que diariamente somos aviltados em redes sociais. O que nos faz crer que o ser humano está cada vez mais cruel, mais ‘sem noção’. Há pessoas que se acham no direito de atacar tudo e todos num julgamento sem fim. A radicalidade extrema divide o país. E não importam se há números e fontes oficiais.

ESTAMOS MAL

Portanto, não é à toa, que o  Brasil ocupa uma posição ruim no ranking mundial de liberdade de imprensa. Conforme a organização Repórteres sem Fronteiras, entre  180 países avaliados, o Brasil varonil está na 110ª posição. E tem mais. De acordo com o relatório ‘Violações à Liberdade de Expressão’, feito pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), em 2021, 230 profissionais de imprensa e veículos de comunicação foram alvo de violência. Isso equivale a uma alta de 21,69% em relação a 2020.

Ainda, conforme os dados da Abert, o número de atentados contra jornalistas dobrou em 2021 em relação ao ano anterior. Passou de quatro para oito. Em 50% dos casos abriram fogo contra os profissionais da imprensa. Bom. Essa é a atualidade. E o que dizer do passado? Do assassinato de Vladimir Herzog, de Tim Lopes e tantos outros? E dos ataques verbais que jornalistas sofrem diariamente?

Bem, a história já nos mostrou como períodos autoritários tendem a descredibilizar a imprensa. Mas como disse Steven Levitsky, autor do best-seller ‘Como as democracias morrem‘, um dos primeiros sintomas da falência democrática de um país é o desprezo aos veículos de comunicação e à liberdade de imprensa. Portanto, qualquer semelhança com o que ocorre no Brasil não é mera coincidência.

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Cristina Esteche

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